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Mirtilo
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(Vaccinium ashei e Vaccinium corymbosum) Mirtilo
Eng.- Agr. Eduardo Pagot

1. Caracterização da espécie:
1.1 Aspectos Botânicos:

Família: Ericaceae
Espécies: Vaccinium spp

Grupos:

Northern Highbush: (Vaccinium corymbosum - arbusto alto) São plantas de dois ou mais metros de altura, com necessidade de frio hibernal (abaixo de 7,2ºC) entre 650 a 850 horas. Produzem frutos grandes de excelente qualidade.

Southern highbush (arbustos de porte alto). São originários do sul dos Estados Unidos. Nesse grupo predomina a espécie Vaccinium corymbosum. Grupo também conhecido como highbush de baixa necessidade de frio, entre 200 a 600 horas. As cultivares que pertencem a esse grupo foram desenvolvidas a partir de hibridações interespecífica entre o mirtilo alto (Highbush-Vaccinium corymbosum), o mirtilo sempre verde (Vaccinium darrowi) e o mirtilo olho de coelho (rabbiteye-Vaccinium ashei). Possuem uma produção bastante precoce em relação as os outros grupos. São cultivadas nas regiões menos frias dos Estados Unidos, no Chile e predominam na Argentina e Uruguai. No Brasil, as primeiras experiências de cultivo são recentes, se concentram em Vacaria, na região de Pelotas e na Serra Gaúcha. Produzem frutos grandes de excelente qualidade.

Rabbiteye (Vaccinium ashei - olho de coelho): As plantas desse grupo são muito vigorosas, podem alcançar dois a quatro metros de altura. As principais características são: vigor, longevidade, produtividade, tolerância ao calor e a seca, baixa necessidade de frio, frutos ácidos, firmes e de menor conservação. São as mais cultivadas no Brasil. Produzem frutos pequenos a médios.

Lowbush: (arbusto de pequeno porte): As plantas tem menos de meio metro de altura. A maioria delas pertence à espécie V. angustifolium, embora esteja nesse grupo, o mirtilo do Canadá (V. myrtilloides e V. Boreale). São muito exigentes em frio (mais de 1000 horas). Produzem frutos muito macios, de tamanho pequeno e baixa acidez. São colhidos na forma silvestre nos países de origem.

Morfologia: O sistema radicular do mirtilo é superficial, possui poucos pêlos radiculares, por isso a absorção de água se dá pelas radicelas. O porte das plantas varia de arbustos baixos até arbustos que podem chegar a quatro metros de altura, dependendo do grupo. Na maioria das espécies comerciais as flores são autoférteis, porém pelo seu formato (pequeno tubo), dispostas para o solo, uma percentagem do pólen cai fora da mesma e não no estigma. Por isso, a polinização cruzada por insetos favorece a obtenção de frutas de melhor tamanho. Recomenda-se colocar em torno de cinco colméias de abelhas por hectare, quando 25% das flores estiverem abertas, para melhorar a polinização. O fruto é uma baga que varia de coloração azul clara a azul escura, coberta por uma cera denominada de pruína, que conforme a sua intensidade no fruto acentua a coloração azulada.

2. Aspectos sobre a produção:

O mirtilo é nativo da América do Norte: Estados Unidos e Canadá, onde é denominado blueberry, também, onde se produz e consome 90% do mirtilo do mundo. No final da década passada uma série de estudos realizados por universidades norte americanas colocam essa fruta como a de maior poder antioxidante associado a isto uma série de propriedades nutracêuticas. A partir daí seu consumo como fruta fresca tem aumentado em todo o mundo. Esse cenário tem levado o mercado norte americano oferecer frutas frescas aos consumidores durante todo ano. Por ser uma fruta de curta vida de conservação a alternativa de ofertar ao mercado todo o ano é importar fruta do hemisfério sul. O Chile tem sido o principal produtor, com uma área superior a 2.000ha de cultivo, atingindo um volume de exportação de fruta fresca em torno de 6.000 toneladas. Mais recentemente, a Argentina e o Uruguai, também se inseriram como produtores e exportadores de mirtilo, com uma área em torno de 1.500ha e 500ha respectivamente, com plantios crescentes a cada ano. Nesses países predominam os plantios dos grupos highbush e southern highbush Na Europa o consumo de mirtilo tem crescido muito. O crescimento da produção é limitado pelo clima e pela escassa e cara mão de obra dos países europeus. Existe uma grande demanda pelo mirtilo e outras pequenas frutas por países europeus. No Brasil, estima-se uma a área de cultivo de mirtilo ao redor de 100 ha, sendo 30 ha em Vacaria ( predominando highbush), 20 ha na região de Caxias do Sul (predominando rabitteye) e 10 ha na região de Pelotas (predominando rabitteye). O restante da área de cultivo está disperso em pequenos pomares em outros municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.

3. Requerimento do cultivo:

Clima: O mirtilo pela sua origem é uma planta que necessita de frio hibernal (abaixo de 7,2ºC), no entanto essa exigência é muito variável em função da espécie e grupo a que pertencem.

Solo: Os solos mais apropriados são aqueles bem drenados, com boa capacidade de retenção de água e presença de matéria orgânica. Em geral os solos ácidos, com um pH em torno de 4,2 a 5,5, são os melhores para o mirtilo. Solos com pH superior a 5,5 podem ser acidificados como uso de enxofre, ácido sulfúrico ou ácido fosfórico, em doses cuidadosamente quantificadas com base nas características químicas e físicas do solo. Normalmente, quando se utiliza enxofre, esse deve ser aplicado precedendo no mínimo três meses o plantio, para dar tempo às tiobactérias transformarem o elemento em ácidos. No caso de utilizar ácido fosfórico devem ser aplicados após a plantação na água de irrigação. Na região dos Campos de Cima da Serra (Vacaria), normalmente os solos apresentam uma acidez natural, não necessitando fazer a correção, que é efetuada somente quando são utilizados solos que sofreram Calagem (uso de calcário). Os solos excessivamente argilosos são muito sensíveis a compactação, o que dificulta o desenvolvimento das raízes do mirtilo, por isso quando utilizados para o cultivo deve-se agregar muita matéria orgânica no preparo da linha de plantio, os materiais mais utilizados são: casca, acícula de pinnus ou serragem, dá-se preferência para materiais em estado avançado de decomposição.

Água/irrigação: O mirtilo é uma planta muito exigente em água, devido ao sistema radicular superficial, por isso a irrigação é imprescindível. Manter a umidade adequada é muito importante para o sucesso da plantação. Déficit hídrico durante o crescimento dos frutos pode reduzir o tamanho das bagas. O mirtilo é uma das poucas espécies que extrai água dos frutos, quando passa por stress hídrico. Também, o déficit hídrico durante o final do verão pode reduzir a indução de gemas florais para a próxima safra. A exigência hídrica máxima para o mirtilo fica entre 3 a 4mm por dia.

4. Cultivares/variedades

Atualmente são cultivadas no Brasil as variedades introduzidas pela Embrapa CNPT de Pelotas-RS, do grupo rabitteye e algumas cultivares do grupo highbush e southern highbush.

4.1 Cultivares do grupo rabitteye:

Aliceblue: Originária da Flórida, necessita de polinização cruzada. Mostrou-se boa adaptação as condições de Pelotas-RS. Os frutos apresentam sabor equilibrado de acidez e açúcar, com peso médio de 1,8 gramas.

Bluebelle: Originária da Geórgia, apresenta autofertilidade. Frutos firmes, com tamanho pequeno a médio ( Peso 2,2g - diâmetro de 10,5mm a 14,3mm), predominando a acidez no sabor e presença moderada de pruína na superfície.

Bluegem: Originária da Flórida. Necessita de polinização cruzada e a cultivar woodard é uma das polinizadoras recomendadas. O fruto tem muito bom sabor e a película apresenta bastante pruína. O diâmetro das frutas apresenta entre 11,5mm e 14,9mm. Peso médio das frutas 1,8 gramas.

Briteblue: Originária da Geórgia. Produz frutas grandes, com película azul clara, com boa firmeza. Nas condições de Pelotas apresentou peso médio de 1,6 gramas.

Clímax: Originária da Geórgia. Os frutos podem ser considerados de tamanho médio ( peso 1,8g – tamanho 10,3 – 14,8mm), com película de coloração azul escuro e polpa com bom sabor. Amadurece de maneira relativamente uniforme.

Delite: Originária da Geórgia. Tem como característica o fruto de tamanho grande, entretanto nas condições de Pelotas os mesmos foram pequenos, entre 10,8 a 11,9mm, com peso médio de 1,8 gramas. Película com menos pruína que a clímax, com coloração bem escura.

Powderblue: Os frutos desta cultivar apresentaram tamanho médio a bom(diâmetro entre 11,5 e 13,0mm – peso 2,0 gramas). Uma das cultivares que apresentaram maior quantidade de pruína na película. Apresenta plantas produtivas e vigorosas. Cultivar que tem se destacado, juntamente com clímax, nos cultivos realizados na região da Serra Gaúcha.

Woodard: Originária da Geórgia. O fruto tem boa aparência, sendo a película azul clara. São considerados macios e, portanto inadequados para o transporte em longas distancias. A maturação é pouca mais tardia que clímax. Peso médio das frutas 1,6 gramas.

Beckyblue: Altura: (1,2-1,8 m); Cor das flores: rosas, vermelhas e brancas; 300-400 horas de frio; Frutas redondas, firmes. Tem bom sabor e epiderme de cor azul média. A planta desta cultivar tem hábito de crescimento aberto e não é auto fértil, necessitando ser plantada com outras cultivares (Cultivares sugeridas: Windye Climax) (Brooks, 1997; Raseira, 2004; Williamson, 1994). Tolerante a uma variação maior de pH do solo e a altas temperaturas, tem certa resistência à seca e baixa necessidade em frio (Eck et aI., 1990). Solo: - pH mínimo: 4,6; - pH máximo: 5,5 (Brands, 2007); exposição ao sol: completa Produz frutas de tamanho, cor e qualidade competitivas com as cultivares do grupo "highbush" (Galletta & Ballington, 1996). Frutos podem ser colhidos mecanicamente para o mercado de frutas frescas (Williamson & Lyrene, 2004).

Brightwell: O período de colheita é de 35 dias. Os frutos são médios a grandes, têm pequenas cicatrizes, bom sabor e cor. As plantas são vigorosas e eretas e aptas à colheita mecânica para o mercado de fruta fresca. Os frutos são muito firmes e redondos, fáceis de serem alinhados nas caixas (Krewer & NeSmith,2006). Brightwell está sujeita a superprodução e o próximo florescimento pode ser pobre se não for podada e dado atenção após a colheita (Krewer & NeSmith, 2006). Há informação de 6,0 kg/planta (NeSmith, 2006).

Cultivares do grupo southern highbush:

O’neal: Cultivar com requerimento de frio (abaixo de 7,2ºC) entre 200 a 600 horas. Alguns autores definem uma exigência em frio para essa cultivar, entre 400 e 600 horas, inclusive registram que expressa seu potencial máximo de produtividade em acúmulos de frio próximos a 600 horas. Tem o comportamento autofértil, mas produz frutos maiores quando plantado com outra variedade. A fruta é grande, de coloração azul clara, com excelente qualidade. Planta vigorosa de hábito de crescimento ereto, que atinge até 1,8 metros de altura. Predomina nos cultivos na Argentina e no Uruguai. No Chile é a mais cultivadas dentre o grupo southern highbush. Tem uma produção bastante precoce, tendo o início da colheita nas condições da Argentina e Uruguai no mês de outubro, o que proporciona excelentes preços para exportação. No Brasil, tem seu cultivo muito recente. Necessita de controle antigeada, devido à precocidade da sua primeira floração, que ocorre entre julho e agosto.

Geiogia Gem: Tem as mesmas exigências em frio que o’neal. Frutas com tamanho médio, com excelente sabor. Muito produtiva, com crescimento rápido, se forma antes que outras variedades. Muito utilizada como polinizadora de o’neal. Comportamento semelhante a o’neal para outras características.

Misty: Requerimento em frio entre 150 a 200 horas. Fruta grande, azul claro, firme e de excelente sabor. Produz muito precoce e pode ter uma segunda colheita no outono.

Cultivares do grupo highbush:

Bluecrop: Cultivar com exigência de frio superior a 600 horas. Fruta de excelente qualidade, grande, com coloração azul clara. Uma das mais cultivadas no Chile, com colheita entre dezembro a março.

Duke e Brigita: Exigência de frio superior a 700 horas. Excelente qualidade. Comportamentos semelhantes, colheita no Chile, entre dezembro e fevereiro..

Elliot: A mais exigente em frio das cultivadas no Brasil. De produção tardia, sendo colhida de janeiro a abril.

5. Estabelecimento da plantação

Os sistemas de plantio do mirtilo dependem das condições de solo, clima e das cultivares utilizadas.

5.1 Espaçamento / densidade de plantio:

O espaçamento da plantação depende do grupo e da variedade escolhida para o plantio:

As variedades do grupo rabitteye, por apresentarem maior vigor são plantadas em espaçamentos mais distantes, em menor densidade. O espaçamento mais utilizado é de 1,5 metro entre plantas e 3 metros entre linhas, com uma densidade de 2222 plantas por hectare.

As variedades do grupo highbush são plantadas a uma distância de 1,0 a 1,20m entre plantas e 3 metros entre linhas. No espaçamento de 1,20 x 3,0m, o pomar atinge uma densidade de 2777 plantas por hectare.

As variedades do grupo southern higbush, são plantadas entre 0,75 a 1,20m entre plantas e 3,0 a 3,5m entre linhas. Um espaçamento muito utilizado é de 1,0 x 3,0m, com uma densidade 3333 plantas por hectare. Esses espaçamentos podem ser ajustados de acordo com a variedade escolhida.

5.2 Preparo do solo:

A tecnologia de implantação deve proporcionar condições ideais para o desenvolvimento inicial das raízes das plantas, o que é muito importante para o um bom estabelecimento do pomar. As raízes do mirtilo são muito sensíveis à compactação e a deficiência de drenagem. Por isso recomenda-se a construção de camaleões, agregando matéria orgânica, com a incorporação de casca de pinus ou serragem, de preferência em estado avançado de decomposição. Esse procedimento representa o fator mais importante do manejo de implantação, pois aumenta a porosidade do solo, além do aumento da matéria orgânica. Essa mescla de solo com serragem ou casca de pinus ao longo da linha de plantio, na quantia de 5m3 para cada 100 metros, deve ser trabalhada em forma de camaleão a uma largura de 60 cm. Pode-se agregar nesse preparo, esterco de galinha bem decomposto. Se o solo necessitar de acidificação, esse é o momento de agregar o enxofre. Como o processo de acidificação é lento, recomenda-se efetuar uns três meses antes do plantio. Quando o pH estiver estabilizado a redor de 5,0 até 5,5 efetua-se o plantio.
Recomenda-se o plantio de quebra ventos para evitar danos nas plantas e reduzir as perdas de água.
Outra técnica que pode ser utilizada é o uso de mulch plástico, que deve ser colocado em cima dos camaleões antes do plantio, com o objetivo de reduzir a competição com ervas invasoras nos dois primeiros anos. No terceiro ano deve ser retirado.

5.3 Mudas

As mudas de mirtilo podem ser produzidas por estacas lenhosas, semi-lenhosas ou por propagação “in vitro”. As mudas de estacas enraizadas, geralmente necessitam de dois anos de viveiro para atingirem um bom enraizamento. Devem ser acondicionadas em embalagens de 1,5 a 2 litros de volume, com o objetivo de desenvolverem raízes suficientes para suportar as condições de transplante para o pomar comercial. As mudas de propagação “in vitro”, possuem um desenvolvimento mais rápido, em cerca de 6 meses a 8 meses após seu transplante do “vitro” para as embalagens, estão em condições de serem levadas ao campo. Desde que seguidos os cuidados com a sanidade e observados os prazos para um bom enraizamento, os dois sistemas podem produzir mudas de qualidade. A vantagem do sistema de propagação “in vitro” é a velocidade de propagação e as condições sanitárias em que são produzidas as mudas.

5.4 Plantio das mudas:

Recomenda-se utilizar mudas de torrão, que estejam em vasos plásticos de 1,5 a 2,0 litros, são as que apresentam melhor índice de pagamento. O plantio deve ser executado de preferência após precipitações pluviométricas, em condições de solo com boa umidade. As mudas devem permanecer à sombra com irrigação freqüente até serem transplantadas. A época de plantio pode ser no outono ou no final do inverno e início da primavera, podendo se estender até o início do verão, desde que irrigadas com freqüência. É fundamental a irrigação do solo antes e após o plantio e das mudas.

5.5 Sistema de irrigação:

O sistema utilizado é de gotejamento, com distância de 33cm entre os gotejadores. A freqüência da irrigação vai depender da precipitação pluviométrica. O manejo da irrigação pode ser monitorado através da observação visual ou com o uso de equipamentos específicos. O dimensionamento do sistema de irrigação deverá ser efetuado de acordo com as características da área a ser implantado o pomar. A água de irrigação necessariamente deve ter um pH inferior a 7,0, com teores de bicarbonato (HCO3)menor que 1,5mmol/L, sódio(Na) menor que 2 mmol/L e cloro menor que 4 mmmol/L. O ideal é efetuar a acidificação da água, com ácido sulfúrico ou ácido fosfórico a um pH em torno de 4,5.
A partir do terceiro ano do cultivo, em regiões com baixa precipitação pluviométrica, opta-se por instalar duas mangueiras gotejadoras por linha de plantio, para suprir a necessidade de água das plantas.

5.6 Controle de ervas indesejadas:

O controle de ervas indesejadas deve ser efetuado através do arranquio manual próximo as mudas. A capina, quando utilizada no restante da linha, deve ser superficial para não danificar as raízes. O uso de herbicidas deverá ser evitado, pelo menos no primeiro ano de desenvolvimento das plantas. A freqüência da limpeza no primeiro ano deverá evitar qualquer competição, principalmente de gramíneas. Recomenda-se também o uso de “mulch” plástico e ou efetuar uma cobertura com uma camada de 15 a 20 cm de espessura com casca ou acículas(folhas) de pinus ou serragem não decomposta, pois reduz a germinação das ervas e mantém mais a umidade superficial no solo, permitindo a proliferação das raízes do mirtilo nas camadas superficiais do solo.

5.7 Controle de pragas e doenças:

No início é fundamental o controle de formigas cortadeiras, que podem em poucas horas danificar as mudas que possuem pouca área foliar. Recomenda-se um controle prévio na área, utilizando-se iscas e produtos em pó diretamente nos ninhos encontrados. São necessárias inspeções periódicas no pomar á fim de evitar esse dano. Demais pragas e doenças serão combatidas através de um planejamento ações preventivas e curativas (programa de manejo fitossanitário). As curativas, mediante o aparecimento de sintomas, por isso é importante a inspeção periódica da área. Durante a fase vegetativa recomenda-se utilizar pulverizações de fosfito de potássio, fertilizante foliar que atua na formação das fitoalexinas, enzimas responsáveis pela ativação do sistema de resistência das plantas, reduzindo as aplicações curativas apenas para os casos extremamente necessários. No Brasil, não existe nenhum agroquímico registrado para a cultura do mirtilo. Quando necessário, procura-se utilizar produtos registrados em países europeus (existentes no Brasil). Produtos a base de cobre e enxofre, como a calda bordaleza e calda sulfocálcica podem ser utilizados.

5.7 Fertilização:

Adubação de pré-plantio: É determinada pela interpretação da análise do solo, e deve conter uma fonte mineral de fósforo, no caso do mirtilo dar preferência para o uso de fosfatos naturais, complementando com uma fonte de potássio, se necessário. É recomendado a utilização de esterco de aves ou bovinos, de preferência bem curtidos, que além dos elementos anteriores, fornecem outros macro e micronutrientes e ainda todos os benefícios físicos e biológicos que a matéria orgânica agrega ao solo.
Adubação de manutenção: Deve ser efetuada de acordo com a observação do desenvolvimento das plantas, de acordo com as recomendações para a cultura, seguindo as exigências de cada período fisiológico da planta.
Adubação de reposição: Deve ser quantificada de acordo com a exportação de nutrientes, ou seja, de acordo com a produtividade obtida no pomar.
Basicamente essas adubações pós-plantio são executadas através do sistema de irrigação (fertirrigação).
Também, poderão ser utilizada adubações foliares, principalmente com o uso do fosfito de potássio (que aumenta a resistência das plantas à doenças) e boro e cálcio que podem melhorar a qualidade e consistência dos frutos.
Um bom manejo de fertilização tem o objetivo de fomentar o crescimento vigoroso dos brotos, nutrindo adequadamente as gemas florais, formando frutos de bom tamanho. A partir do segundo ou terceiro ano pode-se usar como parâmetro análises foliares, pois são indicadores mais confiáveis para determinar a situação nutricional das plantas.

6. Controle antigeada:

Quando utilizadas cultivares de produção precoce, de baixo requerimento de frio, pertencentes ao grupo southern highbush é necessário a instalação de uma controle antigeada, pois essas cultivares florescem muito cedo e correm o risco de perderem a primeira floração com as geadas. O controle de geadas mais utilizado, consiste em um sistema de microaspersão de água sobre as plantas. A aspersão é efetuada sempre que a temperatura atingir 3ºC no início da noite, pois durante a madrugada poderá atingir temperaturas abaixo de zero, quando ocorre a formação de gelo. A aspersão é interrompida quando a temperatura voltar a 3ºC. Os microaspersores (tipo fliper) são dispostos na linha das plantas fixados sobre postes a cada 5,20m. Esse sistema pode atingir um consumo de 18 m3/hora/ha.

7. Podas:

A poda pode variar de acordo com a variedade e grupo a ser cultivado.
Nos primeiros três anos, deixamos a plantar se formar, sem intervir com podas. Eventualmente, pode-se eliminar ramos mal posicionados. Com baixo vigor (débeis) ou com problemas. A partir do terceiro ano, no inverno, a primeira poda de produção deve ser realizada. O mirtilo produz em raminhos curtos que nascem nas pontas de ramos de 1 ano. Ramos de dois anos ou mais que já produziram, podem ser podados rente ao solo, conforme o numero de ramos novos disponíveis na planta. A renovação da planta se dará por ramos novos que brotarão na base do tronco, junto ao solo. A fruta de melhor qualidade é produzida em ramos de vigor médio, aproximadamente de 15 a 20cm, portanto esse tipo de ramo que devemos fomentar com a intensidade de poda entre moderada e severa, dependendo do vigor da planta. Se a planta apresenta um bom vigor e crescimento, a poda deve ser moderada, ao contrário, se a planta apresentar pouco vigor, a poda deverá ser mais severa. Também é possível fazer poda na fase de crescimento, mas isso deve ser avaliado com cautela pela assistência técnica, pois as podas nesse período podem ser debilitantes.

8. Colheita

A colheita da fruta representa boa parte dos custos com mão-de-obra e deve ser muito bem planejada. A fruta deve ser colhida quando as bagas desenvolverem mais de 90% da coloração azul. A colheita pode ser feita na primeira hora do dia, depois que a umidade condensada na superfície da fruta tenha desaparecido. Um trabalhador colhe em 8 horas de trabalho por dia entre 20 e 40 kg de frutas para o mercado “in natura”.

9. Pós-colheita:

O mirtilo tem uma vida curta de armazenagem, no entanto maior que a amora-preta e a framboesa. As frutas colhidas para o mercado “in natura” devem ser colhidas preferencialmente nas horas mais frescas do dia e retiradas o mais rápido possível da exposição sol e da temperatura ambiente. Recomenda-se a construção de abrigos sombritados que protegem a fruta até o transporte para a refrigeração ou congelamento.
A redução da temperatura o mais breve após a colheita é o fator mais importante na armazenagem, a fim de evitar trocas metabólicas (amolecimento e excesso de maturação) e desenvolvimento de microorganismos causadores de podridões. As condições ideais de resfriamento e armazenagem são as seguintes: O método de resfriamento é o ar forçado, com temperatura entre 0,5 a –1,0ºC , a umidade relativa deve ser mantida de 90 a 95%. O tempo de armazenagem é estimado em 2 a 3 semanas. A fruta destinada para indústria é o descarte, que pode ser efetuado no momento da colheita, dando o destino diferenciado ou no packing mediante classificação. Normalmente são destinadas para a indústria as frutas menores que 9mm, mal formadas, com danos mecânicos ou ataques de pragas e doenças.

10. Comercialização

O mirtilo, nos últimos anos, tem ganhado as prateleiras dos supermercados nos mais diversos produtos industrializados, o que tem aumentado a demanda pela fruta congelada. Mas, a maior parte da produção é comercializada na forma de fruta “in natura”. O apelo nutricional e terapêutico (nutraceutico), destacando o mirtilo e as frutas vermelhas como alimentos funcionais, capaz de prevenir e controlar determinadas doenças, tem atraído as pessoas para o consumo dessas frutas. A fruta produzida para o mercado “in natura” e congelada no Brasil, tem como principal produtor o município de Vacaria. Essa produção tem sido exportada em pequenos volumes para países europeus. Sabe-se também, que existe a importação de determinados volumes, principalmente de fruta congelada para processamento industrial. Na região da Serra Gaúcha e Serra da Mantiqueira, nos estados de São Paulo e Minas Gerais existem pequenos cultivos para atender a demanda de fruta fresca nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.
Não se encontram muitos dados sobre a produção, consumo e comercialização de mirtilo no Brasil, nem mesmo sobre volumes importados e exportados. No entanto, percebe-se, que a oferta no Brasil parece ser menor que a demanda, e os preços são compensadores aos produtores. Na região de Vacaria e na Serra Gaúcha, pequenos produtores, recebem em torno de R$ 10,00 a R$15,00 pelo quilo da fruta fresca, podendo chegar a R$ 20,00/quilo, quando vendida sem intermediação.

2009 Mudas de Mirtilo